DESTAQUE
O conflito Irã-Israel-EUA segue como principal vetor de instabilidade logística global nesta segunda-feira. Com o Estreito de Ormuz praticamente paralisado , responsável por 20% do petróleo marítimo mundial , os preços de bunker dispararam (VLSFO a US$1.053/MT), armadores como CMA CGM e Hapag-Lloyd declararam embargo a rotas pelo Estreito, e sobrecargas de emergência de US$200/TEU já são cobradas pela Maersk. No campo tarifário, o cenário para o Brasil melhorou após a Suprema Corte dos EUA invalidar as tarifas IEEPA em fevereiro, revertendo a alíquota de 50% para ~10% , alívio importante para exportadores de pedras naturais, madeira e demais setores, ainda que uma investigação Seção 301 mantenha o risco no radar.
MERCADO
- Bunker VLSFO: USD 1.053,50/MT (+17,50 no dia , alta pressão por crise em Ormuz)
- Bunker MGO: USD 1.787,50/MT (+7,00 no dia)
- USD/BRL: R$ 5,15 (Real em tendência de fortalecimento , faixa semanal 5,14,5,25)
- WCI Composite: USD 2.287/40ft (estável semana a semana)
- Tendência: Fretes estáveis, mas sobrecargas de combustível pressionam custo efetivo. BRL forte favorece importações e encarece exportações brasileiras em dólar. Q2 deve manter piso de ~US$3.500/40ft na rota Ásia,Europa Norte.
🌍 NOTÍCIAS
- [Ship & Bunker | 06/abr] Bunker VLSFO sobe para US$1.053,50/MT globalmente , alta impulsionada pela crise em Ormuz que ameaça 20% do abastecimento mundial de petróleo marítimo. MGO bate US$1.787,50/MT. Armadores citam custos "elevados e voláteis" para justificar novas sobretaxas de emergência.
- [Maersk | abr/2026] Maersk anuncia Emergency Bunker Surcharge (EBS) de USD 200/TEU nas rotas principais (head-haul) e USD 100/TEU no retorno (back-haul), em resposta direta à volatilidade de combustível no Oriente Médio. CMA CGM e Hapag-Lloyd já haviam aplicado medidas similares em março.
- [GoComet / Hapag-Lloyd Ops | abr/2026] Porto de Itajaí/Portonave com congestionamento severo: 14 dias de espera, pátio a 80% de ocupação, operação em modo FIFO com apenas um berço ativo. Santos mantém ~1 dia de atraso; Paranaguá com ~4 dias; Vitória normalizado (~1 dia). Exportadores do Sul devem avaliar alternativa via Paranaguá ou Santos.
- [Drewry WCI | 02/abr] World Container Index estável em USD 2.287/40ft na semana encerrada em 2 de abril. Rota Xangai,Nova York em USD 3.434 (+1%); Xangai,Roterdã em USD 2.543 (estável); Xangai,Los Angeles em USD 2.663 (-1%). Fretes sustentados mais por disrupções geopolíticas do que por demanda orgânica.
- [Centrorochas / Stone World | 2025,2026] Setor de rochas ornamentais do Brasil fechou 2025 com exportações recordes de US$1,48 bilhão (+17,5% a.a.), mas granito e mármore sofreram quedas de volume (-14,7% e -9,8%, respectivamente) pela tarifa de 50% nos EUA. Com a reviravolta judicial de fevereiro/2026 (SCOTUS), alíquota caiu para ~10% , reabrindo janela para renegociação de contratos. Quartzita segue como produto de crescimento (isenta da tarifa extra).
- [Bloomberg / Trade Compliance Hub | fev,abr/2026] Suprema Corte dos EUA derruba tarifas IEEPA sobre o Brasil em fevereiro/2026 , alíquota geral recua de 50% para ~10%. Contudo, investigação Seção 301 (aberta em jul/2025) ainda pode gerar tarifas específicas por produto. Senado americano aprovou projeto para encerrar as tarifas; quadro jurídico permanece em fluxo.
- [ISM / S&P Global | mar,abr/2026] Crise em Ormuz força declarações de força maior em contratos de GNL do Qatar e eleva prêmios de seguro de guerra em todas as rotas do Oriente Médio. Alumínio e fertilizantes com oferta global restrita (+pressão de preços). Armadores roteando via Cabo da Boa Esperança: +10 a 14 dias por viagem. Impacto direto nos transit times de cargas brasileiras com conexão em Singapura e China.
- [Timber.exchange / TradingEconomics | 2025,2026] Brasil consolida posição de maior exportador mundial de madeira (HS-44), com US$13,29 bilhões exportados em jan,nov/2025 (~66% do mercado global). Mouldings, compensados e madeira serrada lideram. China, EUA, Itália e Argentina são os principais destinos. Setor beneficiado pela queda tarifária pós-SCOTUS e demanda global aquecida por construção.
